Entendendo a redação do ENEM 2011
O tema da redação do Enem 2011 pedia ao participante que discutisse o desafio da representação das pessoas com deficiência na sociedade brasileira, a partir de um texto motivador que falava sobre a Lei de Cotas e a acessibilidade. O assunto era bem delimitado: não se tratava de generalidades sobre deficiência, mas especificamente da representatividade — ou da falta dela — nos espaços públicos, no mercado de trabalho e na mídia.
Como abordar o tema enem 2011
A estrutura esperada era dissertativo-argumentativa, com cerca de 30 linhas. Não há segredo nisso, todo ano é a mesma coisa. O que diferencia uma nota alta de uma nota baixa está na escolha dos argumentos e na forma como você os encadeia. Eu corri esse prova em 2011 e, honestamente, o maior erro que vi nos candidatos foi escrever sobre acessibilidade física quando a proposta pedia representatividade. São coisas relacionadas, mas não iguais. Acessibilidade é sobre rampas, elevadores e banheiros adaptados. Representatividade é sobre presença: quantas pessoas com deficiência aparecem como protagonistas em novelas? Quantos cargos de decisão ocupam? A confusão entre esses dois eixos tirou pontos de muita gente boa.
Outro problema recorrente era a proposta de intervenção. A competência 5 cobra um projeto de intervenção detalhado, com ação, agente, meio e finalidade. Os candidatos costumavam terminar com frases genéricas tipo "o governo deve ajudar mais". Isso não é intervenção. Você precisa especificar: qual ação? Quem executa? Como financia? Para quê exatamente?
Dicas práticas que realmente funcionam
Antes de começar a escrever, reserve cinco minutos para ler o texto motivador com calma. Ele traz dados e perspectivas que podem sustentação seus argumentos. Ignorar o texto motivador é descartar material que a banca já te deu de graça. Monte um esqueleto rápido. Tese, dois argumentos, proposta de intervenção. Se você pular essa etapa, tende a escrever de qualquer jeito e repetir os mesmos pontos com palavras diferentes. Eu tenho testemunhado corretores dizendo que isso acontece em quase metade das redações que leem.
Sobre vocabulário: use termos específicos da área, mas sem forçar. Citar a Lei 7.853/89, o Decreto 3.298/99, ou a Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência demonstra domínio. O problema é quando o candidato inventa nomes de leis ou artigos que não existem. Isso aparece com frequência e custa a nota máxima na competência 4.
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Um caso que eu vi de perto
Numa sessão de correção que participei anos depois, vi uma redação que ia muito bem até o parágrafo final. A intervencao estava escrita de forma vaga, com um tempo verbal inadequado. O candidato usou futuro do pretérito do subjuntivo ("deveria ser criado") em vez do infinitivo impessoal ou do presente do indicativo. A banca interpretou como falta de projeção concreta, não como erro gramatical. Perdeu pontos na competência 5. O conteúdo estava bom. A forma é que matou a nota. A lição prática é simples: na proposta de intervenção, use verbos no infinitivo ("criar", "implementar", "garantir") ou no presente ("o governo cria"). Mantenha a coesão e a clareza. Nunca deix a última frase da redação para o improviso.
O que a banca espera, de verdade
As cinco competências avaliadas são: domínio da norma culta, compreensão do tema e capacidade argumentativa, seleção e organização de argumentos, domínio dos mecanismos coesivos, e proposta de intervenção completa. Cada uma vale 200 pontos, totalizando 1000. O que pouca gente entende é que a norma culta não é só sobre ortografia. Concordância nominal e verbal, regência, pontuação — tudo entra. Uma redação com 15 erros de concordância não perde apenas na competência 1. Ela atrapalha a fluidez da leitura e prejudica indiretamente as outras competências também.
Questões que merecem atenção
A redação do Enem 2011 foi particularmente relevante porque aconteceu num momento em que o debate sobre deficiência ganhava espaço na agenda política. A lei de cotas já estava em vigor desde 2000, mas os índices de emprego para pessoas com deficiência permaneciam baixos. Isso deveria constar nos argumentos: a existência da lei não significa sua efetivação. Um contra-argumento interessante que poucos usam é a diferença entre inclusão formal e inclusão real. Uma empresa pode ter pessoas com deficiência no quadro, mas manter todas em cargos de entrada, sem oportunidade de ascensão. Isso mostra que a representatividade não se mede apenas por números absolutos, mas por posição de poder.
Recursos para estudar
As provas anteriores do Enem estão disponíveis no site oficial do INEP. Os gabaritos das redações corrigidas também podem ser consultados lá, com as notas de cada competência. Ler as redações nota mil ajuda a calibrar o que esperar. Não copie, analise a estrutura. Livros sobre produção textual como "Redação easy" ou manuais de argumetação de autores como Marcus Chiarelli são úteis. Mas o mais importante é praticar. Escreva pelo menos uma redação por semana durante os meses que antecedem a prova. Peça para alguém corrigir. A autoavaliação funciona, mas tem limitações.
O tema enem 2011 continua sendo estudado porque os problemas que levantou não foram resolvidos. A violência contra a pessoa com deficiência, a exclusão do mercado de trabalho, a invisibilidade na mídia — tudo isso permanece atual. Se você domina a argumentação desse tema, consegue transpor muitas das habilidades para temas similares que podem cair em outras edições.